O direito de defesa é ao meu ver o maior dos direitos, é a síntese de toda uma existência. É a consolidação e a afirmação de todos os outros direitos inerentes à pessoa humana. Não importa qual seja a acusação, não importa o quanto a opinião pública possa vociferar o contrário.
Neste momento e excepcionalmente somente neste momento, não se deve dar ouvidos a opinião pública, porque ela estará cega, insensível e envenenada pela cólera, pela paixão e não poderá ver, não poderá ouvir claramente. E o defensor neste momento, tem a mais difícil e imperiosa das tarefas, a de ser a voz do réu perante o Tribunal e diante da opinião pública. Sim deve o defensor sem medo e sem receios enfrentar o Tribunal com base primeiramente na justiça e depois na lei para demonstrar, argumentar, contestar, provar e ao final pleitear em favor do réu os benefícios que lhe cabem em cada caso concreto. É uma missão árdua pois o defensor deve saber distinguir a paixão humana inerente a qualquer cidadão (e ele próprio é um cidadão) do dever sagrado de defender.
Há anos passados no século passado, um advogado francês que viveu em um período negro da história humana, onde a vida não tinha valor, estava no exercício de seu dever e certa vez precisou ergueu sua voz com autoridade perante um Tribunal para bradar: " Trago minha aqui diante dos senhores cabeça e minha palavra, os senhores podem ficar com a primeira, depois que ouvirem a segunda..." A história humana está cheia de momentos em que o direito de defesa foi levado as ultimas consequências.
Fui nomeado para a defesa de um réu que matou a sua mulher a facadas. O crime é qualificado. A opinião pública o trata por "monstro" e será monstro todo aquele que o defender...Eu serei este monstro e com muito orgulho. Não pelo mérito mas pela defesa do direito de defesa. enquanto a opinião pública vê o monstro matador, eu vejo o pobre diabo viciado em craque. enquanto a população quer lhe impor toda a culpa, eu penso que ela deverá ser divida com o estado que permite o trafico de drogas e o seu facílimo acesso. Sim meu cliente é reu confesso, matou e se entregou porque cometeu o crime no auge da alucinação do craque... O vicio tem algemas mais fortes que o aço. O vicio pelo crack já é uma prisão em que este desgraçado réu já se encontra e uma prisão que não possui porta... nem janelas... é muito mais cruel que qualquer prisão física.... é uma prisão mental e psíquica construída de fora para dentro e hoje o réu está dentro dela e la ficará eternamente até o dia de sua morte. No mundo exterior, a população vê uma vitima e um réu.... Eu porém, vejo duas vitimas e um réu... este ultimo o próprio estado negligente... Quando chegar o momento de seu julgamento eu lá estarei para erguer minha voz ao lado deste réu para pleitear justiça e combater o linchamento jurídico que pretendem contra ele. Porque a opinião pública é insensível e já cometeu o maior dos erros quando, há 2000 anos ao ser questionada sobre quem deveria libertar, Barrabás ou o Nazareno, a opinião pública respondeu: liberte Barrabás... october 28 th 2010 03:47 am
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